Terça, 17 de outubro de 2017
"Quem se fixa na escuridão não consegue ver o brilho e a exuberância das estrelas" (Ap. Sinomar).

O INIMIGO NOS BASTIDORES

 Na realidade, quem queria matar a Jesus desde o seu nascimento? Herodes, César Augusto? Claro que não. Uma organização espiritual, maligna, curiosa pela movimentação na esfera espiritual, depois de ouvir e ver a declaração do Anjo do Senhor: “Hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor”, começou a vasculhar na cidade de Belém os lugares nobres e, certamente, milhares de espíritos malignos foram para a porta do palácio, pois é no palácio que nascem os reis. Sabemos, com certeza, que por trás daquela grande movimentação, estava Satanás, o grande adversário de Deus e de seu eterno e maravilhoso plano de salvação.

As forças malignas procuravam matar a Jesus todo o dia, o tempo todo. As autoridades religiosas que plantavam armadilhas para Jesus, eram apenas instrumentos do inimigo. Quanto maior o propósito de Deus na vida de um homem, maior será a oposição contra ele.

Quando Jesus estava com os discípulos no mar da Galiléia (confira Mateus 8:23-27), de repente sobreveio no mar uma grande tempestade, de sorte que o barco era varrido pelas ondas. Os discípulos gritavam por socorro. Jesus dormia. Ao ser acordado, imediatamente repreendeu os ventos e o mar; e fez-se grande bonança. Se aquela ação da natureza fosse algo natural, autorizado por Deus, Jesus não teria feito o que fez. Mas o inferno estava ali presente para destruir o Homem de Nazaré. Jesus não pediu a Deus para intervir, ele repreendeu a fúria dos demônios.

Enquanto o profeta Daniel orava e jejuava pelo seu povo, o que acontecia no mundo espiritual? Leia o que o anjo disse a Daniel:

Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia, em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e por causa das tuas palavras é que vim. Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias (Dn 10:12-13).

Daniel havia orado e jejuado durante vinte e um dias, e passou por uma dura prova de fé. Tudo aconteceu, não porque Daniel não fosse um homem de Deus, ou porque o seu pedido não fosse justo, mas por causa de um ataque de Satanás.

No momento em que Daniel começou a orar, o Senhor enviou um mensageiro para dizer-lhe que a sua oração fora respondida; mas um anjo maligno se opôs ao anjo de Deus e lutou contra ele, impedindo-o. Houve um conflito nos ares; e Daniel, confuso, não sabia o que estava ocorrendo.

Por que a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e, sim, contra os principados e potestades... contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes (Ef 6:12).

Satanás atrasou a resposta por três semanas. Daniel quase sucumbiu. Na realidade Satanás queria matá-lo.

Muitas das nossas orações são impedidas por Satanás; esta é a má notícia. A boa notícia é que não precisamos temer quando isso acontece, pois depois de algum tempo, no tempo de Deus, as bênçãos de Deus prometidas virão como uma verdadeira inundação sobre nós, trazendo-nos o que foi prometido e algo extra como compensação. É por isso que somos mais do que vencedores. 

Você se lembra de quando Jesus curou uma mulher corcunda? Ela andava encurvada havia já dezoito anos. O texto diz que ela estava possessa de um espírito de enfermidade (Conferir Lucas 13:10-13). Era um espírito que a mantinha doente. Várias enfermidades são causadas por espíritos malignos. Uma vez liberta dos laços de Satanás ficou livre do seu defeito físico.

Quando Pedro repreendeu a Jesus, procurando dissuadi-lo da ideia de ir a Jerusalém morrer pelos nossos pecados, ele pensou que receberia um elogio pela sua valentia, mas Jesus lhe disse: “Arreda-te Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim” (Mt 16:23).

Nem sempre identificamos o inimigo em determinadas situações, porque ele se esconde e se disfarça. Uma jovem pode ter um olhar angelical e não ser nenhum anjo. Sansão só consegui ver à sua frente uma linda mulher, mas o maligno estava armando para ele um terrível laço de morte. Dalila era uma cilada, era um laço.

Aquele que deveria ser o libertador de Israel, transformou-se em motivo de gracejo. Sansão foi preso e os filisteus se reuniram para oferecer um grande sacrifício a seu deus Dagon e para festejar. Lá estava Sansão, cego, sem forças e sem o Espírito de Deus. Com o coração cheio de alegria gritaram os filisteus: Mandai vir Sansão, para nos alegrar e nos divertir (Jz 16:25). Que fim trágico para um homem de Deus que perdeu a visão e o propósito. Furaram os seus olhos. Era comum tratar brutalmente os prisioneiros de guerra entre os filisteus e depois humilhá-los publicamente. Ali estava um campeão derrotado por não ter percebido a ação do Inferno para destruí-lo, utilizando-se de uma mulher.

Não depende de nós o não ter paixões; mas só depende de nós dominá-las. 

Deus mandou Paulo pregar em Roma: Na noite seguinte, o Senhor, pondo-se ao seu lado, disse: Coragem! Pois do modo que deste testemunho a meu respeito em Jerusalém, assim importa que também o faça em Roma (At 23:11).

A Bíblia não diz que Deus nos isenta de tribulações e da fúria do inimigo. O que as Escrituras ensinam é que o livramento virá do céu e que depois da aflição sairemos fortalecidos e perseverantes (Romanos 5:3). Além do mais o embate com o inimigo faz-nos mais dependentes de Deus. Paulo enfrentaria situações difíceis na Europa e as lições que aprendeu durante a viagem fê-lo mais forte e mais confiante. As provações são a escola da fé.

A lição da fé, uma vez aprendida, é uma aquisição eterna, bem como um eterno tesouro.   As dificuldades são o aço estrutural que entra na construção do nosso caráter.

Satanás queria matar Paulo durante a sua viagem, pois o seu testemunho em Roma mudaria para sempre a história do cristianismo no mundo. O inimigo de Paulo era Satanás e nada do que aconteceu foi meramente um fenômeno natural. O Inferno todo estava resistindo àquela viagem missionária, mas continue lendo este livro e verá que o inimigo só se levanta para cair.

Permanentemente Paulo tinha um espinho na carne, mas que espinho era aquele? Ele afirma que tinha um “espinho na carne - mensageiro de Satanás, para me esbofetear a fim de que eu não me exalte”. Veja que até mesmo o Maligno pode ser usado por Deus para o cumprimento do seu eterno propósito em nossas vidas. O espinho de Paulo fê-lo mais humilde e dependente de Deus.

 

Ap. Sinomar Silveira

Livro: O PONTO CEGO – Cap 2

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